Os fluxos internacionais de imigrantes e refugiados se intensificaram em escala mundial. Segundo dados do ACNUR (Agência da ONU para refugiados), o mundo registrou até o fim de 2018 o maior número de pessoas deslocadas de maneira forçada de seus países de origem desde a Segunda Guerra Mundial. São 70,8 milhões de pessoas fugindo de guerras, perseguições, violações de direitos humanos ou tortura. Desse contingente, cerca de 25,9 milhões são refugiados. O Brasil também vem sendo impactado por esse novo fluxo migratório internacional. 

Atualmente, o País acolhe pouco mais de 33 mil refugiados e cerca de 140 mil solicitantes de refúgio. Pessoas oriundas de 85 nacionalidades, sobretudo de países africanos, latinos e do oriente médio. A cidade de São Paulo é o local de destino de boa parte dessas pessoas. Pouco mais da metade dos refugiados e cerca de 12% dos solicitantes de refúgio, segundo dados do Conare, residem na cidade. 

Apesar de o Brasil ser internacionalmente reconhecido como um país acolhedor e, por ter uma legislação avançada no tema, muitos desafios se colocam diante de quem vem ao país em busca de proteção.

Alguns obstáculos são o não conhecimento do idioma local, a dificuldade em conseguir uma vaga de trabalho condizente com as qualificações que trazem do país de origem, acesso à educação superior e aos serviços públicos de moradia. O trabalho é uma condição essencial para a dignidade da pessoa, e para a conquista da independência econômica, aumentando, assim, sua autoestima. 

Tendo em vista essa realidade, o Instituto Adus, desde 2010, tem o compromisso de apoiar refugiados, solicitantes de refúgio e pessoas em situação análoga ao refúgio, em seu processo de integração local.

Ao longo de quase uma década, o Instituto Adus vem trabalhando arduamente ao lado de refugiados, solicitantes de refúgio e pessoas em situação análoga ao refúgio. Nosso objetivo é que eles possam se integrar à sociedade local de maneira digna e efetiva. De crianças a idosos, mais de 9.000 pessoas já foram beneficiadas pelos nossos programas. 

Em 2019, atendemos 2.557 pessoas de 63 países. Destas, 244 foram capacitadas para o mercado de trabalho, 465 participaram de processos seletivos em diversas empresas, tendo 87 contratações efetivadas.

Nas aulas de português, atendemos 443 pessoas. Mais de 400 alunos cursaram algum idioma no projeto Mente Aberta. Nossa equipe de advogados realizou 133 atendimentos.

Os dados são positivos, mas podemos e queremos fazer muito mais! Para conseguir atender mais pessoas e de maneira mais efetiva, trabalhamos muito ao longo do último ano. Redesenhamos os objetivos do Instituto e passamos a focar na capacitação profissional e geração de renda; estruturamos novas ferramentas que possibilitarão a entrada de novos recursos que auxiliarão na manutenção do trabalho; estamos cada vez mais perto dos refugiados, para que, juntos, possamos buscar alternativas viáveis e criativas para o crescimento dos nossos programas.

Mas nada disso será possível sem a participação, sobretudo, da sociedade civil. É preciso, apesar das nossas mazelas internas, acolher, de fato, quem vem de outros países em busca de proteção. Não podemos enxergá-los como concorrentes, como um fardo a ser carregado. A dignidade humana deve pautar nossas ações. Venha você também apoiar a causa do refúgio! A solidariedade não pode ter fronteiras!

 

Texto: Marcelo Haydu (Diretoria do ADUS).